Me sentia incapaz de ser feliz, e um dia isso mudou. Eu não sei bem quando, e nem porque. Eu sei que não vai ser assim pra sempre, por isso eu devo, eu tenho que aproveitar. Eu troco uma eternidade de marasmo por uma semana de pura loucura, e saio feliz com o meu lucro débil de mente parcial.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Não sei que título isso tem...!!!
Me sentia incapaz de ser feliz, e um dia isso mudou. Eu não sei bem quando, e nem porque. Eu sei que não vai ser assim pra sempre, por isso eu devo, eu tenho que aproveitar. Eu troco uma eternidade de marasmo por uma semana de pura loucura, e saio feliz com o meu lucro débil de mente parcial.
Que vontade...!!
Quase incontrolável, o desejo de confessar tudo me deixa afoito. Me atrapalho em adjetivos quase sempre aflitos de um sentido inexistente. Reluto em não me delatar pelas ações, e quando percebo, estou todo amarrado proferindo gentilezas.
Eu não consigo fugir!
terça-feira, 10 de abril de 2007
Abuse
Alguém vai ter que sentir falta desse amor.
Caminhando acompanhado
...
Hoje pela manhã, o meu café foi delicioso e insuficiente, como qualquer café de quem está preocupado em perder peso. O dia frio me obrigou a sair agasalhado, o que adoro. Não demorou e começou a chover.
Quando me dei conta, você estava comigo no ônibus, ponderando sobre o que deveria fazer primeiro no trabalho. Sobre eu deixar as mensagens instantâneas de lado, os emails e me esforçasse a entregar os meus prazos. Engraçado é que isso é que tem me motivado a continuar vivo, trabalhando e acordando todo o dia. Você estava nos sabotando.
No trabalho, te expliquei minha rotina, te mostrei como eu faço as coisas. Me exibi com meus métodos, te mostrei como me esforço para ser o melhor de mim. Cada atividade era permeada por explicações e sorrisos, com carinho de alguém que ensina algo para outro. Você interfere no meu dia, me ouve, me entende, me contagia. Você acaba sendo o meu dia.
Não importa o que eu faça ou onde esteja, pareço ligado a você como se te desse instruções constantes sobre o meu dia. Me encantaste de uma maneira peculiar, a qual pouco eu conheço como me desvencilhar. E nem quero.
sábado, 7 de abril de 2007
Saldo Negativo
A multidão se aglomera frente ao estabelecimento. A noite caía e esfriava o cadáver ainda úmido, vítima daquela tarde. Os assaltantes não tiveram um pingo de consciência de que levariam a vida dele atirando ou não. Carregaram seu suor e sangue, seu tempo com a esposa e filhos, seus sonhos e deveres, tudo em uma sacola velha de lona. Atiraram naquela tarde e um pouco do coração da vila inteira.
...
Ao chegar ao balcão da farmácia, me escorei e esperei que ele terminasse de escrever em um papel. Ele ergueu o pescoço mais do que necessário para um homem comum. Entretanto, sua cabeça mal saía acima do balcão. Esse era o Baixinho.
Ele me atendeu meio desconfiado, me olhando de cima abaixo. Sempre me encarando por sobre o óculos fundo de garrafa. Por fim, me entregou o troco e largou:
- Tu não é o filho do Gelson?
- Isso mesmo... - E o assunto continuou.
Assim virei cliente dele. Ou será que não. Acho que isso foi bem antes.
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Assim como todo cidadão que nasceu e se criou nos bairros Fátima, Marechal Rondon e Nova Cachoeirinha, um dia precisou de injeções e conheceu o Baixinho, lá estava eu. Tremia da cabeça aos pés, segurado pelo meu pai. A ponto de voar daquela farmácia, quase criando asas.
- Não vai doer nada, é bem rapidinho – ele tentava me acalmar.
- Ahhhhh, nãããão pai... eu não quero injeçaãããããããão.... ahhhhhhhhh!
- Nossa, mas que fiasco, pronto. Já deu. Nem doeu.
Sequei as lágrimas e saí injuriado. Ele tinha razão, não havia doído nada e eu havia feito um fiasco feminino sem motivo algum. Depois, com o meu pai na rua, desmaiei sem motivos. Eu havia ficado tão nervoso que perdi os sentidos ao me acalmar. Acordei em casa.
...
Sobre a sua moto, ele percorria 4 bairros quase todo dia. Era um curativo na dona Diora, no meio da Nova Cachoeirinha. Ela havia estado no hospital durante quase um mês devido a um mioma, e agora se tratava em casa, com curativos uma vez por dia. Seu agradecimento era o seu pagamento. Outro dia teve que dar 10 injeções no filho do seu Ananias, por conta de uma infecção. Era todo dia a mesma romaria. A vila inteira era sua casa, seus filhos eram os filhos dos outros. Ele era o enfermeiro sem diploma de muita gente. De alguns, o médico sem faculdade.
Ele sabia do seu papel na sociedade. Ele tinha suas convicções e sabia que cada um esperava dele um pouco de ajuda, um pouco de compreensão e pagava com muito carinho com sua família e filhos.
...
A moto parou na frente da farmácia, ele ouviu o barulho e saiu de trás das prateleiras. Um cara já se encontrava no meio da loja e o outro continuou sentado na moto ligada. Sem tirar o capacete, o rapaz levou a mão as costas enquanto ele perguntava:
- O que era pra ti?
- Abre o caixa, vamo logo, é um assalto.
Acostumado a rotina de assaltos, e um tanto indignado, se recusa a correr. Começa a falar do dinheiro do aluguel e da faculdade dos filhos. Por dentro do capacete, reconhece traços do motoqueiro e sua voz que o denunciava.
- Tu não é o filho do....
- Não sou ninguém, me dá esse dinheiro logo.
- Mas eu te conheço...
- Ah, tu me conhece? Tu me conhece? - um disparo nervoso e um peito perfurado.
Caído pelo impacto, ele se arrasta em direção a um filho da comunidade que ele cuidou como seu. Ao se agarrar no pé deste, que enchia a sacola de lona com o dinheiro do caixa, o motoqueiro se vira e chuta. Mais dois disparos e a disparada sobre a moto.
Fábula e tragédia. Morre abraçado a um pé de sapato do agressor.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Posse
Me respeita ao contrário
E me mata toda hora
Que estranho esse cenário
O diabo e o escapulário
Minha posse vem agora
É incrível tua luta
Em me ter na tua nuca
Me jogando a vida fora
Tu me queres do teu jeito
E por mim teria feito?
Minha alma nua chora
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Quase me comunicando
Meus dedos e mãos, correndo freneticamente pela mesa, por todo o ambiente de trabalho. O mouse, coitado, sofre em minhas mãos. Seus botões clicam tanto que, quase em brasa, pedem socorro. Eu vasculho meus emails corporativos, e nada. Olho meu email pessoal, nada também. Onde será que você está? Olho no Skype, e nem sinal de você. Se entrou não me deixou recado ou não me chamou. Abri o MSN, na ânsia de te achar, e você nem on-line estava. Muito menos havia atualizado o seu Spaces. E o Gtalk estava vazio sem a sua presença.
